quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Caras...olhares


Cabeça de João Baptista (séc. XVIII), no Museu do Mosteiro de Lorvão

Minha terra…

Pinturas e esculturas bem retratadas
Com muito carinho e sabedoria
Em madeiras bem trabalhadas
Um rosto onde se sente a agonia

Leva a sua cruz pelo mundo fora
Num compasso bem comedido
Dá-nos sinais de hora a hora
E por vezes não é bem sucedido

João Baptista ali dormindo
Com visão do outro mundo
Poder-se-á dizer que esta sorrindo
Pelos pecados do defundo

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Grades do Convento



Sua água cristalina em sobressalto
Fazendo curvas de tanto tormento
Olho para o ponto mais alto
E grades de ferro são o momento

Escapam gritos de dor
Gritos que me ferem o coração
Não passa por aqui o barco a vapor
Que os leve segurando na mão

Como vieram aqui parar
De tantas formas e muitas injustas
Alguns eram para sarar
Feridas da sociedade de embuste

Finalmente veio o Abril
Pergunto eu o que nos deu
Nomes e mais nomes são um ardil
Mais manhãs julgo eu

Voltei a minha terra depois dos quarenta
Mais lavada mais composta e mais fria
Sem gente sem miúdos e a agua é barrenta
E lá no alto a sombra é sombria

Parada no tempo descomposta pelo fogo
Vozes que se unem neste tormento
De viver na cova num logro
Mãe quero voltar a ser criança.